quarta-feira, julho 30, 2003

"Artistas se unem para exigir seus direitos
Ana Felippe

“Se não nos unirmos, não teremos força para lutar pela nossa valorização enquanto profissionais”. Assim o guitarrista Eduardo Montenegro resume e justifica a criação da Associação dos Músicos da Paraíba, que já conta com 40 associados e promete dar uma virada na vida cultural da cidade.

Entre os associados, a AMP já conta com nomes de peso na cena local, como Alex Madureira, Cacá Santa Cruz, Sérgio Galo, Kiko, César Freitas, Ícaro Max, Pablo Ramires, Lis Albuquerque, Madruga, Robério jacinto, João Neto, Felipe, Costinha, entre outros.

A Associação dos Músicos da Paraíba (ou AMP) tem à frente o guitarrista Eduardo Montenegro, que idealizou o movimento no sentido de unir a classe musical na Paraíba e, assim, pedir licença para ir à luta (seja ela por espaço para tocar, por atividades que valorizem a classe artística, pelo crescimento profissional, entre outras bandeiras de luta).

Em texto publicado anteontem no CORREIO, Flávio Eduardo (o Fuba) ressalta que o movimento ganha força no meio musical como uma solução real das reivindicações dos músicos.

Espaço no cenário nacional

“O objetivo principal da AMP será incrementar a nossa música para que ela ganhe espaço e força no cenário nacional, além de proteger músicos, autores, compositores, intérpretes e produtores dos descasos que a classe tem sofrido”, disse Fuba.

Quanto à Ordem dos Músicos, Fuba escreve: “independente de preconceitos, a Ordem dos Músicos do Brasil (OMB) é uma entidade que não tem correspondido aos anseios e desejos da comunidade musical. Até hoje não existe uma política direcionada ao aperfeiçoamento de nossos músicos, nem tampouco foram feitos projetos que elevassem a auto-estima desses artistas para uma maior valorização e reconhecimento”.

Com a diretoria já formada, a Associação vem se reunindo semanalmente (sempre às segundas-feiras) para identificar e debater os problemas que mais têm incomodado os músicos da cena local, bem como a falta de espaço e de valorização profissional. O idealizador do movimento, Edu Montenegro rebate as críticas que a entidade vem sofrendo de que a associação se opõe à Ordem dos Músicos (criada há 40 anos para regulamentar as atividades da classe musical).

“Não é nossa intenção acabar com a Ordem dos Músicos. Ninguém tem poder para isso. O que nós procuramos fazer é unir a classe”, disse Edu Montenegro. Ele explica que nas reuniões semanais, os músicos falam sobre a falta de valorização dos artistas, a proposta de criação de um núcleo dos instrumentos e, a partir desse tipo de discussão, identificar o que a classe precisa realmente, quais suas prioridades.

“Quanto à questão da Ordem dos Músicos, muitas pessoas ficam com medo porque falta informação”, disse Eduardo Montenegro, acrescentando que a intenção da AMP é unir a classe. Aqui tem muitos músicos bons, mas muitas vezes, não há apoio financeiro. É por isso que algumas bandas são formadas e chegam ao fim porque os músicos ficam ensaiando sem ter onde tocar”, acrescenta Montenegro.

“Não queremos derrubar a OMB”

Segundo artigo de Fuba publicado na segunda passada, “A OMB se resume no papel de cobrar a anuidade de seus associados e fiscalizar os artistas antes de cada apresentação causando, muitas vezes, constrangimentos que poderiam ser evitados. Nada contra Benedito Honório, que esteve presente no dia da fundação da AMP, tornando-se membro e participando efetivamente de sua primeira reunião”.

A reportagem do CORREIO tentou contato com o presidente da Ordem dos Músicos para falar sobre as críticas, mas Benedito Honório não foi encontrado até o horário de fechamento do caderno, às 15h00.

"Não temos nada pessoal contra Benedito Honório. Pelo contrário, ele me pareceu muito agradável”, disse Eduardo Montenegro, referindo-se ao presidente da Ordem dos Músicos e rebatendo as críticas que vêm surgindo entre os músicos que sugerem uma tentativa da AMP “derrubar” a OMB. “Não queremos acabar com a Ordem dos Músicos”, enfatizou.

São papéis diferentes, segundo Edu Montenegro. A AMP também tem uma proposta cultural que consiste na realização de festivais, promoção de eventos como workshops sobre música, cursos, palestras, bem como buscar a participação de produtores culturais, representantes de estúdios e gravadoras para se discutir a melhoria da qualidade das gravações produzidas na Paraíba. Mais importante: discutir, também, direitos e deveres dos músicos.

Montenegro lembra que, desde a sua criação, a associação já pode comemorar uma vitória: a parceria com a loja Tamborim de Ouro, que concede desconto de 10% aos associados. A AMP também cogita o apoio da Funesc no sentido de realizar um evento para reunir os músicos de várias tendências da cena paraibana. "

fonte: Correio de Paraíba





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