quarta-feira, janeiro 28, 2004

Atrações locais e nacionais em diversos gêneros artísticos vão animar o Encontro para Nova Consciência em Campina Grande

ANDRÉ DE SENA

Campina Grande
De acordo com a coordenação do 13º Encontro para a Nova Consciência, que acontecerá de 20 a 24 de fevereiro, a programação cultural do evento está quase fechada, faltando apenas pequenos ajustes em relação a datas e horários. O palco principal este ano ficará localizado no parque do Açude Novo, que acaba de ser totalmente revitalizado pela prefeitura, juntamente à feira esotérica, onde vão acontecer lançamentos de livros, CDs, além de exposições de artes plásticas, fotografia e literatura de cordel. “Mesmo com um orçamento reduzido, conseguimos reunir os maiores nomes do pop, do rock e da atual música regional brasileira. Artistas já consagrados pela crítica e público. Muitos se apresentarão a preços módicos, porque compactuam com a ideologia do evento, que é promover a paz e o diálogo entre povos, culturas e nações”, explica Íbis Hisnayme, um dos responsáveis pela pauta musical do 13º ENC.

De fato, a vanguarda musical brasileira está cogitada para shows, a maioria na linha world music. DJ Dolores e a Orquestra Santa Massa, Chico Corrêa e Eletronic Band, Bom Sucesso Samba Clube, Pedro Osmar e Jaguaribe Carne, Cabruêra, Siba, Rogério Duarte, Alberto Marsicano, Eddie, Aerotrio, Toninho Borbo, Mahal, Marinês e Banda Acorde (que reúne os músicos da noite campinense). “O empresário Paulo André, do Abril pro Rock, festival recifense considerado o maior do Brasil na atualidade, disse que a verba que nós temos não daria nem para construir o palco secundário de seu evento. Ele ficou impressionado como conseguimos juntar tantos nomes de peso. O critério principal para a seleção foi o trabalho autoral de cada grupo”, comemora Íbis.

DJ Dolores e a Orquestra Santa Massa é a mais aclamada revelação da atual geração do mangue beat pernambucano. A gradual ascenção do produtor e músico Hélder Aragão (o DJ Dolores) foi coroada há pouco, com o aguardado lançamento de Contraditório?, segundo álbum do grupo. O disco, lançado pela recifense Candeeiro Records e distribuído pela Trama, já esgotou sua tiragem inicial de três mil CDs. O grupo já alavancou uma carreira internacional próspera e foi convidado especialmente para animar o réveillon 2004 do ministro da Cultura, Gilberto Gil. DJ Dolores e seu grupo saíram do Free Jazz taxados de revelação do evento, já caíram na boca de artistas influentes (como Marisa Monte, Paulo Miklos e Naná Vasconcel-los), foram parar na Europa, tocando na França, Portugal e Bélgica. Até o jornal francês Le Monde elogiou.

Chico Corrêa é paraibano antenado com o que há de mais moderno na cena mundial. Com influências de Hermeto Paschoal, John Coltrane, e Ben Harper, mistura coco, baião, repente e música eletrônica. A mistura inusitada de ritmos nordestinos com drum'n'bass, beats diversos e samples já conquistou o Brasil. O prestigioso Tim Festival, no Rio de Janeiro, consagrou o grupo como a maior revelação da atual música paraibana. O samba, a bossa nova e os sons afro-brasileiros também entram na salada eletrônica, que ainda inclui influência do próprio jazz, principalmente da prática de improvisar durante as apresentações. Além dele, há mais seis integrantes: o baixista Nazareno, o baterista Victor Ramalho, o percussionista Cassiano, o saxofonista suíço Stephan, o DJ Dal e a vocalista Larissa Montenegro. Nas apresentações, projeção de imagens históricas, reunidas pelo cineasta paraibano Carlos Dowling, que comanda o telão durante o show.
A Bom Sucesso Samba Clube, a Cabruêra, e o grupo Eddie, fazem world music de bom quilate, samba-rock com muito suingue e percussão. O Eddie acaba de ser considerado pelo programa Fantástico como o grupo revelação de 2004. Pedro Osmar e o Jaguaribe Carne são os maiores representantes da música pós-moderna na Paraíba, quase rock progressivo, alguma coisa na linha de Frank Zappa. O tropicalista Rogério Duarte vai tocar ao lado de Barrosinho, trompetista reconhecido mundialmente, professor da UFRJ e Alberto Marsicano, o pai da cítara no Brasil, também misturará ritmos: a música oriental e a eletrônica (vai lançar o CD Electric Sitar). O evento paralelo conhecido como Rock na Consciência também estará abrindo espaço para grupos paraibanos. Todos os shows serão gratuitos.





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